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"Crónicas de Lisboa": Mostra (Me) os Teus Sinais

Data adicionada : May 18, 2014 06:00:03 PM
Autor: Serafim Marques
Categoria:
 
Serafim Marques
17 maio 2014
Desde jovem que tenho um sinal negro no rosto, que até era motivo de inveja de algumas pessoas, porque diziam que me ficava bem e, com o decorrer da idade, outros sinais foram aparecendo, mas, face a campanhas de alerta que são divulgadas sobre os eventuais sintomas de cancro que tais sinais podem indiciar, estive sempre atento quer ao seu aparecimento quer à sua evolução. Por outro lado, desde muito cedo fui cuidadoso, comigo e com os meus filhos, embora, num país de praias e de elevada exposição solar como é o nosso, é muito difícil ser "rigoroso cumpridor" . Quem nunca apanhou um escaldão na sua vida e passou a noite sem poder dormir, tais eram as dores na pele? E as feridas posteriores com a pele em carne viva? De facto, os protectores solares sempre tiveram preços de venda pouco compatíveis com o poder de compra de muitos portugueses, mas entre cortar numas cervejas ou em gelados, os amantes do sol preferem cortar no creme que lhes evitaria não só as dores das queimaduras mas também as consequências futuras, apesar das muitas campanhas que sempre foram feitas no combate ao cancro da pele, muito prevalente no nosso país, não só nos veraneantes mas também em muitas actividades ao ar livre. Saiba que também se expõe aos raios ultra-violeta (UV) não só quando apanha sol na praia, mas também praticando desporto ao ar livre, fazendo jardinagem ou simplesmente caminhando ao sol.

"Ouvidos de mercador" , era e é o que milhões de portugueses têm feito nesta matéria e, mais ainda, continuam a cometer autênticos crimes, pois não só deixam de cuidar de si mas também das crianças e jovens à sua guarda. Basta passar por uma qualquer praia na "hora proibida" para verificar que é nesse período (das 12 às 16 horas) que se atinge o pico da frequência e no seu universo encontramos crianças de todas as idades. Segundo os especialistas, o "relógio solar" pode classificar-se em: das 12 às 16 horas, consideradas horas solares perigosas; das 11 às 12 e das 16 às 17 horas, horas de perigo intermédio; nas restantes, considera-se horário apropriado de exposição solar, aquele que tem outro sabor e outro benefício. Surpreende, assim e já que os próprios pais não se preocupam com os efeitos maléficos da exposição solar sobre os seus filhos em horas perigosas, que as autoridades médico-sanitárias não possam intervir. Afinal, os direitos das crianças também deveriam incluir esta matéria, tal como a protecção contra o tabaco, porque estes erros terão nefastas consequências na sua saúde futura.

A nossa pele não serve apenas para exibir o bronzeado. Ela protege-nos do calor, da luz, etc e ajuda a controlar a temperatura do nosso corpo. Através da pele também o nosso corpo recebe o impute para produzir a vitamina D, esta deveras importante para a nossa saúde (a vitamina D pode ser produzida no nosso organismo através do contacto dos raios solares sobre a pele ou....), desde que apropriadamente.

Como é natural, com a idade e a própria genética, vão surgindo sinais no nosso corpo, pelo que convém que estejamos atentos ao seu aparecimento e evolução, vigiando os seus contornos (forma), a cor e o tamanho desses sinais, novos ou velhos, pois a sua alteração é um alerta, que quando identificado a tempo, pode salvar vidas e ou evitar males maiores. Há alguns meses, apareceram-me alguns sinais que, funcionaram como "campaínha de alerta" e, assim, mostrei-os à minha médica de família que, na dúvida, me encaminhou para a especialidade de Dermatologia hospitalar. Algum tempo depois, fui convocado para a respectiva consulta que, curiosamente e só ali o soube, coincidiu com o dia do melanoma (14 de Maio) e, por isso até, vários hospitais estavam a realizar rastreios para detectar indícios de cancro da pele. Afinal, o sinal que tinha servido de alerta era benigno, tal como outros que pintam a minha pele, mas, infelizmente, ou talvez não, dependendo da óptica que queiramos ver o problema, havia um sinal que exigirá cirurgia que, em tempo oportuno, ali será realizada. Obviamente que fiquei triste e preocupado, mas aliviado porque agi bem. Não sou daqueles que preferem fazer como a toupeira, no que à saúde diz respeito, talvez porque aprendi com a experiência (sofrimento). Saí do hospital triste e, coincidência ou não, às 13 horas daquele dia de autêntico Verão, o termómetro já marcava cerca de 30 graus, aquele, para já, o dia mais quente do ano e com um sol abrasador. Não pude deixar de fazer a respectiva associação com o motivo que ali me levou e levará mais tarde, apesar de, como acima disse, ter sido (quase) sempre muito cuidadoso com a exposição solar. Também fiquei surpreendido com o elevado número de pacientes que ali estavam para consulta daquela especialidade. Mau sinal, diria eu, mas, pelo que observamos, não apenas nas praias, não deveremos ficar surpreendidos com a incidência dos vários tipos de cancros da pele que têm vindo a aumentar, estimando-se que em 2014, em Portugal, apareçam onze mil novos casos, dos quais cerca de mil serão Melanomas. "Se tem pele clara, se já sofreu queimaduras na infância e adolescência, se costuma passar muito tempo ao sol, se tem uma pele com muitos sinais, ou antecedentes na família com casos de cancro da pele, não ignore essa situação". Nestes dias de Primavera que para gáudio dos "inverno oprimidos" apareceu em força, os corpinhos saíram da toca protectora das roupas invernosas e desataram a despir-se nas praias, nas ruas e nos parques, incluindo os muitos milhares de turistas que nos visitam. Assusta-me observar, pelas ruas da minha cidade, a imensidão de corpos com vermelhões, também nos estrangeiros, muitos deles de peles muitos mais claras do que os latinos que nós somos, e que cometam os mesmos erros de muitos dos portugueses. Será que não sabem nem ninguém os alerta, como fez recentemente uma associação de polícias que nos aeroportos, distribuiu folhetos alertando os turistas para a insegurança e os riscos que eles correrão, porque o Governo cortou nos direitos dos agentes, afectando a sua operacionalidade? Não fosse este um gesto triste e acabar por prejudicar todos os portugueses, seria um caso de anedota. Mas é muito sério, tal como o são as consequêcias dos escaldões que esses turistas sofrerão e todos aqueles que julgam que os males só acontecem aos outros.

* Economista

 
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